Bailarina de Vermelho premia Unirio com Medalha da Faperj
Bailarina de Vermelho premia Unirio com Medalha da Faperj
A Bailarina de Vermelho, personagem que saiu dos palcos cariocas para circular no Brasil e fazer intervenções performáticas em diversos eventos, ou melhor, a aluna de Teoria do Teatro, Alessandra Colasanti, será premiada pela Federação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro Carlos Chagas Filho (FAPERJ) com a medalha comemorativa pelos 30 anos da instituição. Alessandra recebeu a medalha no dia 24 de junho em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro pelo projeto Diálogos entre monólogos: inscrição e execução de solos contemporâneos brasileiros (Onde a primeira e a terceira pessoa se encontram: uma análise experimental), orientado pela Professora Maria Helena Werneck. “Para mim a medalha significa uma humanização da Iniciação Científica e da Pesquisa”, fala Colasanti, que considera o prêmio mais um estímulo para os alunos de graduação participar de projetos de pesquisa. “As pessoas se sentem pertencendo á estrutura, deixa de ser uma figura institucional, passa a fazer parte da nossa vida”, conclui.
A proposta do projeto, desde seu início, consistiu em aliar a prática artística à pesquisa teórica. No primeiro ano de trabalho esta premissa estruturou-se em torno de dois objetivos: acompanhamento da cena teatral carioca de espetáculos definidos como monólogos e elaboração de texto teatral inédito, o monólogo Anticlássico, uma desconferência e o enigma vazio. A elaboração do texto teatral foi concluída e a peça “Anticlássico, uma desconferência e o enigma vazio” estreou em agosto de 2007 no Espaço SESC no Rio de Janeiro, e a cuja figura central é a Bailarina de Vermelho. A partir da apresentação da peça, houve um desdobramento para outras linguagens artísticas como performance e ações de vídeo e fotografia, o que determinou um deslocamento do foco da pesquisa em seu segundo ano, colocando a performance como o centro da investigação. “Ao cruzar informações advindas dessas duas vertentes da pesquisa, foi possível delinear-se uma reflexão da autora Alessandra Colasanti sobre seu trabalho, não só voltando-se para o percurso de sua criação artística, mas também para as perspectivas de investigação futura no campo da performance”, analisa a Profa. Dra. Maria Helena Werneck.
Com uma carreira sólida no circuito teatral carioca, Colasanti quis aumentar seu instrumental teórico no curso de Teoria Teatral da UNIRIO. “É muito clara a relação entre a peça e minha vivência na UNIRIO. No texto, aparece o que a Universidade me trouxe: a leitura dos pós estruturalistas como Foucault, Barthes, Derrida, Deleuze, Agamben e Baudrillard”, fala a atriz. Em “Anticlássico, uma desconferência e o enigma vazio”, a Bailarina de Vermelho é uma bailarina de um quadro de Degas que abandona a tela – porque está entediada com a vizinha de parede do Louvre, Mona Lisa – e decide rodar o mundo. Ela participou da Revolução Russa, mas também namorou Picasso, Van Gogh e Nijinsky. Teve um caso com Elvis Presley, John Cage e Charles Aznavour, foi amiga íntima de Foucault, mas admiração mesmo ela nutre por Walter Benjamin. Nada escapou do liquidificador pop da aluna da UNIRIO, que assina texto, direção e interpreta a Bailarina na peça, e conta com a participação de ator João Velho que faz pontuais intervenções como um jovem punk, chamado por ela de Hamlet.
Depois de circular com o espetáculo por todo País, Colasanti convidou o cineasta Samir Abujamra e juntos escreveram o roteiro do curta-metragem “A Verdadeira História da Bailarina de Vermelho”, que foi rodado no Rio de Janeiro, Nova York e Paris. Em setembro, a premeière é no Instituto Itaú
Cultural, em São Paulo e, simultaneamente, no YouTube. O Rio de Janeiro ganha uma reestreia de “Anticlássico, uma desconferência e o enigma vazio” no segundo semestre deste ano, depois da atriz concluir as filmagens da minissérie da TV Globo “Afinal, o que as mulheres querem?”, que tem direção de Luiz Fernando Carvalho. “Se foi difícil conciliar a vida acadêmica com a profissional? Claro que foi, mas ao mesmo tempo foi fundamental, não tem dissociação. Por isso, quero dar continuidade e ingressar na pós-graduação", conta Alesandra. A graduação, primeira fase da vida acadêmica da atriz, será encerrada no próximo dia 30 de junho, quando ela defende a monografia de conclusão de curso.
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